Por Rev. Alexandre A. P. Cardoso

Há muitas similaridades entre 1Samuel 8 e os dias de hoje. Lá, somos apresentados ao povo de Israel em um momento de profunda insatisfação com a forma como Deus havia estabelecido o governo de Seu povo (1Samuel 8.1-5). Os filhos de Samuel não andavam em seus caminhos, inclinavam-se à avareza, aceitavam subornos e pervertiam o direito (1Samuel 8.3). Diante disso, os anciãos de Israel se reuniram e foram até Samuel com uma solução: “Constitui-nos, pois, agora, um rei sobre nós, para que nos governe, como o têm todas as nações” (1Samuel 8.5).

O problema de Israel não era perceber a corrupção dos filhos de Samuel. O problema era a solução que encontraram. Em vez de buscarem ao Senhor e se submeterem à ordem por Ele estabelecida, decidiram estabelecer para si mesmos uma nova forma de governo. Queriam um rei. Queriam ser governados como as outras nações. Queriam abandonar a singularidade de serem o povo de Deus para se parecerem com os povos ao seu redor (1Samuel 8.5,20).

O pedido desagradou a Samuel, mas a resposta de Deus revelou a verdadeira natureza do problema: “Não te têm rejeitado a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre eles” (1Samuel 8.7).

O problema de Israel não terminou com Israel. É precisamente isso que encontramos em muitas igrejas de nossos dias. Diante de problemas reais, muitos não procuram soluções segundo os critérios estabelecidos por Deus, mas segundo os modelos que encontram ao seu redor. Se determinada estrutura funciona no mundo, querem adotá-la. Se determinado método atrai multidões, querem reproduzi-lo. Se determinada forma de liderança produz poder e influência, querem estabelecê-la também na Igreja.

E, assim como Israel, querem ser “como todas as nações”.

O Senhor, porém, advertiu Israel acerca das consequências de seu pedido. O rei tomaria seus filhos, suas filhas, seus campos, seus servos e seus bens (1Samuel 8.11-18). Samuel mostrou ao povo que aquilo que desejavam como solução se tornaria em instrumento de opressão. Mas o povo não quis ouvir: “Não, mas haverá sobre nós um rei. Seremos também como todas as nações” (1Samuel 8.19-20).

É exatamente isso que também encontramos em nossos dias. A Palavra de Deus adverte, mas os homens insistem. Deus estabelece limites, mas os homens desejam ultrapassá-los. Deus determina uma ordem, mas os homens preferem os modelos das nações. E, mesmo diante das advertências, continuam dizendo, em outras palavras: “Não, queremos ser como todos os demais”.

E por que isso acontecia em Israel? O próprio texto fornece a resposta: “Não te têm rejeitado a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre eles” (1Samuel 8.7).

Essa frase não é apenas uma explicação sobre o pedido de um rei. Ela revela a raiz espiritual de toda aquela decisão. Israel queria um rei visível porque não estava satisfeito em viver sob o governo de Deus. Queria uma ordem que pudesse ver, uma liderança que pudesse comparar e um modelo que pudesse encontrar entre as nações.

Quando o governo de Deus não é reconhecido, o homem começa a procurar outros governos.

É interessante observar que o problema de Israel começou com uma dificuldade real, mas terminou em uma rejeição espiritual. Os filhos de Samuel eram corruptos, mas a resposta de Israel não foi buscar uma reforma segundo a vontade de Deus. Preferiram abandonar o princípio e procurar um modelo diferente. O problema estava diante deles, mas a solução que escolheram vinha das nações, e não da Palavra de Deus.

O problema é que hoje muitos fazem o mesmo. Diante dos pecados e corrupções existentes na nação, em vez de buscarem uma reforma segundo a Palavra de Deus, procuram soluções seculares.

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