Juízes 17 Para Hoje
Por Alexandre A. P. Cardoso
Há muitas similaridades entre Juízes 17 e os dias de hoje. Lá, somos apresentados à família de Mica (Juízes 17.1-2). Uma família que decidiu adorar a Deus da maneira como mais lhe agradava (Juízes 17.3-5). Por isso, decidiram estabelecer para si mesmos uma forma particular de culto, fazendo uma casa de deuses e confeccionando uma imagem de escultura e uma imagem de fundição (Juízes 17.5). Nomearam entre si alguém para cuidar do novo empreendimento, fazendo de um de seus filhos sacerdote (Juízes 17.5). Posteriormente, conseguiram até um sacerdote levita para dar “cara” de autenticidade àquela religião particular (Juízes 17.7-12).
O problema de Mica não terminou com Mica. É precisamente isso que encontramos em muitas igrejas de nossos dias. Algumas famílias querem cultuar a Deus segundo seus próprios critérios, abrem sua própria igreja, estabelecem sua própria estrutura e colocam à frente dela pastores que estejam dispostos a atender aos seus interesses. E, assim como Mica, dizem: “Agora sei que o SENHOR me fará bem, porquanto tenho um levita por sacerdote” (Juízes 17.13).
E por que isso acontecia em Israel? O próprio texto fornece a resposta: “Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que achava mais reto” (Juízes 17.6). Essa frase não é apenas uma observação política, ela explica a desordem religiosa de todo o período dos juízes (Juízes 18.1; 19.1; 21.25).
Quando não há governo reconhecido, cada homem passa a estabelecer sua própria ordem. E quando isso acontece na religião, cada homem passa a estabelecer também seu próprio culto, seu próprio ministério e sua própria doutrina (Juízes 17.5-6).
É interessante observar que a tradição confessional reformada levou muito a sério a responsabilidade das autoridades civis diante da religião. Na forma original da Confissão de Fé de Westminster (1788), o capítulo 23.3 afirmava que o magistrado civil tinha autoridade e dever de preservar a verdade de Deus, suprimir blasfêmias e heresias e impedir ou reformar corrupções e abusos no culto e na disciplina.
O problema é que hoje, nem os magistrados civis nem os concílios religiosos se importam com isso. Antes, apoiam o que, mesmo em nome de Deus, vai contra Ele.